Como as abelhas levam o material para dentro da colméia?! Ouço essa pergunta frequentemente dos amigos que visitam o meliponário, então para esclarecer essa dúvida que muitas pessoas ainda devem ter, vou tentar explicar de maneira bem simples como se dá esse processo.
Os principais materiais coletados pelas abelhas são o pólen, néctar, água, resinas e barro. As abelhas comem néctar e mel como fonte de carboidratos e pólen como fonte de proteínas, gorduras, vitaminas e minerais, além da água. As operárias constituem a casta que realizam a quase totalidade dos trabalhos que devem ser feitos para a manutenção do ninho. As abelhas campeiras são as abelhas coletoras de alimentos, como o pólen e o néctar, e de produtos para construção do ninho como barro, resina, etc. Elas transportam o alimento no papo e principalmente na corbícula (estrutura côncava do último par de pernas, possui uma franja de pêlos na tíbia).
Coleta de néctar: As abelhas colhem o néctar das flores com suas compridas línguas (conhecidas também como glossas). O produto é armazenado em uma porção do aparelho digestivo chamado de vesícula melífera (papo de mel), uma espécie de antecâmara do estômago, que pode ser amplamente distendida e que também transporta a água coletada. O néctar retirado das flores pelas abelhas é a matéria prima do mel, quando retornam à colméia , as campeiras transferem o néctar que colheram às "engenheiras", que vão retirar o excesso de umidade e transformá-lo em mel. Elas coletam, transportam, adicionam enzimas, fermento, ácidos orgânicos, retiram a umidade e armazenam nos potes que serão operculados quando o mel estiver maduro.
Coleta do pólen: As campeiras de Meliponíneos com as madíbulas e com a vibração, abrem as anteras das flores (partes masculinas) para que estas soltem o pólen, este é capturado com as patas dianteiras que passam pela língua da abelha para se juntar algum néctar ou saliva para o pólen aglutinar(unir;juntar)em seguida é passado para o par de patas do meio que o arruma nas corbículas ou cestas de pólen, através dessa coleta passando por dezenas e dezenas de flores que se dá a polinização. Ao chegar a colméia a campeira carregada comunica o local da coleta e vai depositar sua carga num pote de cera determinado.
Coleta de resina/barro: Com a ajuda das mandíbulas e do primeiro par de patas, ela remove o material resinoso da planta. Depois armazena-o na corbícula, como faz com o pólen, assim também de forma semelhante é transportado o barro, ambos são armazenados para construção do geoprópolis(mistura de resina com barro), usado na vedação das frestas da colméia, construção das entradas, entre outras funções.
Enfim amigos espero ter sido claro e ajudado. Abraço!
Francisco Carlos Alencar Meliponário Alencar São Luis-MA
Encontrei essa espécie diferente e extremamente bonita perambulando pelo meliponário e com a ajuda dos amigos do grupo Abena pude indentificá-la e constatar que se trata de uma abelha solitária do gênero Euglossa, mais precisamente a Eg. cordata. É uma das espécies de abelhas de orquídeas, como são chamadas as abelhas da tribo Euglossini, apesar de nativas algumas das abelhas solitárias possuem ferrão.
Para os mais curiosos um pequeno artigo sobre elas:
Ao contrário do que muitas pessoas imaginam, a grande maioria das abelhas não vive em sociedade ou em colônias com rainha e operárias. A maioria das espécies de abelhas é solitária, isto é, vivem sozinhas. Cada fêmea, individualmente constrói e cuida do seu próprio ninho. A fêmea morre antes de sua cria nascer. Ou seja, não há contato entre as gerações. Desta maneira, o modo de vida de uma abelha solitária é bastante diferente do que conhecemos para aquelas abelhas que vivem em colmeia.
A diversidade de abelhas no Brasil
Estima-se que no mundo existam mais de 20 mil espécies de abelhas. O Brasil, devido as suas proporções continentais e riqueza de ecossistemas, pode ser considerado privilegiado neste aspecto, pois abriga cerca de 1/4 destas espécies (ca. 5000). Contudo, infelizmente, a abelha mais conhecida entre os brasileiros é a européia (Apis Mellífera), que na verdade não é nativa do Brasil. Esta espécie foi introduzida no período colonial para fins de apicultura. Atualmente é a espécie mais abundante em nossos ambientes (até mesmo urbanos), fazendo nos esquecer que possuimos uma fauna de abelhas nativa rica e diversa. Segundo levantamentos feitos em diferentes regiões do Brasil, até hoje temos mais de 2 mil espécies de abelhas catalogadas.
Uma ampla diversidade de formas, tamanhos e cores caracteriza a nossa apifauna. Existem espécies com tons verdes, azuis e roxos metálicas, que geralmente são confundidas com moscas varejeiras. Algumas abelhas são bem ornamentadas com listas e manchas pelo corpo, e outras possuem cores lisas ou brilhantes de várias tonalidades entre negro e amarelo. Existem abelhas que chegam a medir mais de 5 centímetros e outras muito pequenas com pouco mais de 2 milímetros, que geralmente também são confundidas com outros grupos de insetos.
Pequena amostra da diversidade de abelhas nativas do Brasil (2x)
De Solitário a social
Entre as abelhas existem diferentes modos de vida, denominados gruas de sociabilidade. Os dois extremos são: as espécies de vida solitária e auquelas de vida totalmente social (eu sociais). Entre estes extremos existem categorias como: subsociais, parasociais, ou quasesociais, que se diferenciam pela presença e domínio de uma rainha.
Algumas espécies salitárias podem construir seus ninhos agregados, o que poderíamos comparar aos nossos "condomínios" onde vários ninhos da mesma espécie estão dispostos no mesmo local. Cada ninho possui sua "dona" e cada abelha, ou melhor, cada fêmea cuida do seu próprio ninho.
Abelhas altamente sociais - ou eusociais - formam colônias numerosas, perenes e com alto grau de organização interna. No Brasil este é o caso das abelhas sem ferrão - Meliponíneos, popularmente conhecidas como jataí, uruçu, mandaçaia, guaraipo, mirim, etc. Estas espécies são bem conhecidas pelos índios e pessoas que vivem no campo.
Ciclo das espécies solitárias
A fêmea de abelha solitária deve cuidar de seu ninho sozinha. Durante sua vida estão incluídas as seguintes tarefas: procurar o local para o ninho, construi-lo, colocar ovos, buscar alimento para a cria e defender o ninho quando necessário.
A fêmea ao nascer será imdediatamente fecundada e, em seguida começará a buscar um local adequado para nidificar. Este local pode ser um tronco de madeira, uma área exposta de solo ou barranco, fendas em muros, ou ainda orifícios pré-existentes em outro tipo de substrato, como um buraco de fechadura, canos, tijolos, etc. Em muitas espécies as fêmeas procuram um lugar próximo ao local de seu nascimento, o que chamamos de reutilização do ninho parental. Isso é comum para as espécies que formam agragações ("condomínios"). Ao achar um local adequado, a fêmea inicia a construção do ninho. Escava a cavidade adequadamente e sai para coletar material para o revestimento interno. O material de construção, que varia entre as espécies, pode ser: areia, terra, barro, pedaços de folhas ou restos vegetais, óleo floral, resina, entre outros.
Ao trazer tais materiais para dentro da cavidade, a fêmea manuseia-os formando o que chamamos de célula, ou seja, o espaço (a unidade) onse sua prole de desenvolverá. Um ninho é composto por várias células. Cada célula será revestida com material de construção e preenchida com alimento, que geralmente é constituído de pólen misturado com néctar. A fêmea coloca um ovo em cada célula. Quando fechar essa célula, logo começará a construir a próxima. Estas etapas se repetem tantas vezes quanto forem o número de células.
Em geral uma abelha solitária constrói entre 6-15 células. Isto pode levar algumas semanas (entre 3-6 semanas). Após este período a fêmea morre.
O desenvolvimento da prole
O ovo colocado pela fêmea logo se transformará em uma pequena larva. Esta larva passa então a ingerir o alimento que está ao seu redor. A larva como sem parar e cresce rapidamente, passando por algumas mudas, que chamamos de estágios lavais (geralmente sofre 4 a 5 mudas). Após consumir todo o alimento que sua mãe deixou dentro da célula, a larva madura ocupa a maior parte do espaço interno da célula. Neste momento também encontramos dentro das células grande quantidade de fezes que a larva defecou. Neste estágio a larva de algumas espécies pode tecer um casulo ao seu redor, chamado de "cocoon".
O último passo do desenvolvimento é a pupa, que é o estágio intermediário entre a larva e a forma definitiva do inseto. Quando chega próximo ao período de eclosão, a larva madura se transformará em uma pupa e completará sua metamorfose. Dos ninhos saem então as abelhas já adultas, que iniciam imediatamente um novo ciclo da espécie. Todas as etapas serão repetidas pelos novos indivíduos.
O tempo total de desenvolvimento varia de espécie para espécie e depende também de fatores climáticos, da região de ocorrência da espécie e do número de gerações que a espécie produz em um ano.
Além da temperatua, o ciclo das chuvas também é um fator que pode influenciar o número de gerações por ano de uma dada espécie de abelha.
De um modo geral podemos dizer que a primavera é o período com maior número de espécies de abelhas em atividade, o auge da ocorrência das abelhas! Não é por acaso que isso coincide com o período de floração intenso de diversas espécies vegetais, já que as abelhas são totalmente dependentes das flores para sua sobrevivência.
Os Machos das abelhas solitárias
Geralmente, os machos possuem um período de desenvolvimento mais curto e nascem alguns dias antes das fêmeas. Logo após seu nascimento estão prontos para a cópula. Esperam a eclosão das fêmeas virgens no local dos ninhos, ou as aguardam nas flores. Este comportamente é denominado de patrulha, que nanda mais é do que a procura e espera por fêmeas para cópula. Sendo assim, é comum observar numerosos machos voando avidamente ao redor do local dos ninhos ou nas fontes de alimento preferido das fêmeas. Os machos visitam as flores para tomar néctar e depois patrulham sobre as plantas ou sentam na folhagem aguardando a chegada da fêmea.
Machos de abelhas solitárias geralmente não voltam para o ninho para dormir. No meio da tarde, quando não há mais fêmeas virgens para nascer, os machos precisam procurar um lugar para passar a noite. Machos de algumas espécies se agregam e dormem pendurados na folhagem próximo ao ninho ou à planta. Machos de outras espécies procuram um local mais "aconchegante" e dormem dentro de flores. Geralmente são flores que fecham a noite e reabrem no dia seguinte (por exemplo flores de cactos, petunia, etc). Os machos chegam nessas flores no final da tarde, antes do seu fechamento, se acomodam entre os estames ou no fundo da flor e ficam lá até a flor abrir no outro dia.
Como dito no início, a diversidade de abelhas no Brasil é grande. Porém, pouco conhecemos sobre a vida da maioria destas espécies. Mas como toda unidade biológica, cada espécie de abelha tem seu papel na comunidade, mesmo que este ainda não esteja avaliado. Portanto, as abelhas devem ser preservadas, bem como o ambiente em que vivem e dependem para completar seus ciclos de vida.
Artigo publicado na Revista Ciência Hoje n.179 (jan/2002)
Mais um representante dos amantes da natureza, em especial as abelhas nativas. Criamos a espécie Tiúba (Melipona fasciculata Smith) que é predominante no Maranhão. Tendo como missão preservar esses animais, que estão literalmente sendo expulsos do seu habitat devido a ação do homem. Objetivos que procuramos alcançar divulgando para toda sociedade a existência das abelhas sem ferrão e os diversos benefícios que elas nos trazem como a manutenção da reprodução de várias plantas com a polinização, e a produção de super alimentos como o mel e o pólen.
Contato: Francisco Carlos Alencar email: solrac.alencar.23@hotmail.com / cacaneo@hotmail.com fone : (98) 81551752 / 87277946 / 32483974