quarta-feira, 14 de abril de 2010

Série inimigos das abelhas parte II


Olá amigos! Então, voltando ao assunto sobre os animais que aterrorizam as abelhas lhes apresento o pior de todos: o Forídeo, que se trata de uma mosca muito pequena e ligeira, elas dão as caras principalmente neste período de chuva e frio aqui no Maranhão.

Elas invadem as colônias que estão mais fracas, são atraídas pelo cheiro que sai da entrada dessas colônias. Essas moscas depositam os ovos nos potes de pólen que rapidamente se transformam em larvas e logo logo em moscas adultas que retomam todo o ciclo de infestação, em poucos dias tomam de conta da colônia que já está fraca e acaba morrendo.

Larvas do forídeo


Umas das alternativas de combate contra o forídeo é a preparação de armadilhas que são feitas usando um copinho descartável contendo vinagre de maçã, o copo deve ser vedado com fita adesiva deixando apenas alguns buracos pequenos o suficiente para que só a mosca possa passar, o cheiro do vinagre atrai o forídeo que acaba morrendo afogado, pois ao entrar na isca não consegue mais sair.


A armadilha deve ser observada periodicamente, pois com o cheiro e corpo estranho introduzidos na colônia, as abelhas usando de suas mandíbulas podem alargar os orifícios na fita e caindo na armadilha e morrerem afogadas também como já observei ou podem vedar os orifícios tornando a armadilha ineficaz.

Outro inseto que costuma pertubar as abelhas é a formiga doceira, ela tem hábitos noturnos o que torna a observação contra ataques ainda mais difícil. O importante é aplicar a proteção contra suas investidas como graxa ou oléo queimado nas bases do meliponário, caso contrário elas podem saquear uma colônia que esteja com problemas.


Francisco Carlos Alencar
Meliponário Alencar
São Luis-MA

terça-feira, 16 de março de 2010

Extração de geoprópolis

O geoprópolis é um dos produtos da tiúba muito utilizado na medicina popular, ele auxilia na cicatrização de ferimentos, problemas de garganta, antitumoral e fungicida, o goprópolis vem sendo pesquizado pela Universidade Federal do Maranhão - UFMA, Universidade Estadual do Maranhão - UEMA entre outras.


Inclusive os docentes do curso de Odontologia do UNICEUMA, Silvana Duailibe e Fernando Ahid, tiveram um grande reconhecimento acadêmico. O trabalho científico dos pesquisadores maranhenses, que aborda a ação antibiótica do geoprópolis da abelha Tiúba sobre as bactérias da cárie dental, foi publicado na Dental Research Review, periódico de circulação internacional editado pela USP. O estudo já foi apresentado na 58ª Reunião Anual da SBPC (Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência), em 2006, em Florianópolis/SC; e na 23ª Reunião Anual da SBPqO (Sociedade Brasileira de Pesquisa Odontológica), também em 2006, na cidade de Atibaia/SP.


De acordo com as pesquisas realizadas o geoprópolis contém na sua estrutura molecular: flavonóides, polifenóis, terpênicos e mais de cinquenta outros compostos. Para sua produção as abelhas coletam resinas, pólen, barro e também introduzem suas próprias enzimas. Após a sua extração é feito o beneficiamento deixando o geoprópolis de molho no álcool de cereais para consumo humano ou em álcool a 70% para utilizar na pintura interna das caixas de abelhas e preparação de iscas pet para captura de enxames na natureza.

Fonte de alguns estudos e trabalhos:
http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0102-695X2008000400010&script=sci_arttext&tlng=pt
http://www.extranet.ceuma.br/noticias_mostrar.asp?noticia=876
http://www.lea.ufma.br/pagina_projeto_andamento.php
http://www.openthesis.org/documents/DE-DEMelipona-fasciculata-Smith-PRODUZIDO-288501.html

sábado, 13 de março de 2010

Pequenas notáveis

O Brasil possui muitas espécies de abelhas nativas, também chamadas de indígenas, que exercem importante papel na fecundação de inúmeras espécies vegetais de nossa flora. Devido à grande extensão do território nacional, os nomes populares que lhes são dados variam de região para região. Assim, um mesmo nome muitas vezes designa abelhas diferentes

Por Naná Prado / Fotos Du Zuppani

Jataí, Irapuã, Mombuca, Moçabranca, Mandaçaia e Mirim são alguns exemplos de abelhas nativas que diferem da abelha Apis Mellifera, conhecida como a abelha do mel - trazida da Europa em 1839 pelo padre Antonio Carneiro, e que se espalhou pelos ecossistemas brasileiros em franca competição com as abelhas nativas. Conhecidas popularmente como abelhas sem ferrão, as nativas possuem ferrão atrofiado, e não conseguem utilizá-lo como forma de defesa. Algumas espécies são pouco agressivas, adaptam-se bem às colméias e ao manejo e produzem um mel saboroso e apreciado. Além do mel, podem fornecer, para exploração comercial, pólen, cerume, geoprópolis e os próprios favos de cera. Existem também outras formas de exploração sustentável como trabalhar questões de educação ambiental, turismo ecológico e ecopaisagismo.

No Brasil, são conhecidas mais de 400 espécies de abelhas sem ferrão que apresentam grande heterogeneidade na cor, tamanho, forma e população dos ninhos. Especialistas alegam que há escassez de informações biológicas e zootécnicas, pois muitas sequer foram identificadas.

Segundo Fábia Pereira, "devido a essa diversidade, é fundamental realizar pesquisas sobre comportamento e reprodução específicas para cada espécie; analisar e caracterizar os produtos fornecidos e estudar formas de conservação do mel que, por conter mais umidade do que o mel de Apis mellifera, pode fermentar com mais facilidade". A alta cotação do preço do mel das abelhas nativas no mercado, segundo Fábia, que em média varia de R$ 15,00 a 50,00 o litro, aliada ao baixo investimento inicial e à facilidade em manter essas abelhas próximas das residências, servem de estímulo para novos criadores.

No entanto, muitos produtores, em busca de enxames, acabam atuando como verdadeiros predadores, pois derrubam árvores para retirada das colônias e, nesse processo, muitas abelhas morrem devido à falta de cuidado durante o translado e ao manejo inadequado.

Outra causa da morte das colônias é a criação de espécies não adaptadas à sua região natural. É relativamente comum que produtores iniciantes das regiões Sul e Sudeste do Brasil queiram criar abelhas nativas adaptadas às regiões Norte e Nordeste, e vice-versa. A falta de adaptação dessas abelhas às condições ambientais da região em que são colocadas acaba por matar as colônias, o que contribui para sua extinção.

Doce e saudável

A criação de abelhas indígenas sem ferrão em cabaças, cortiços e caixas rústicas constitui uma atividade tradicional em quase todas as regiões do Brasil. Conhecida como meliponicultura, foi inicialmente desenvolvida pelos índios, e hoje, é praticada por pequenos e médios produtores.

O mel destas espécies contém os nutrientes básicos necessários à saúde, como açúcares, proteínas, vitaminas e gordura. Possui, também, uma elevada atividade antibacteriana e é tradicionalmente usado contra doenças pulmonares, resfriado, gripe, fraqueza e infecções de olhos em várias regiões do país. Waldemar Monteiro, conservacionista e membro do Departamento de Abelhas Indígenas da APACAME (Associação Paulista de Apicultores, Criadores de Abelhas Melificas Européias), afirma que para criar abelhas e mantê-las é preciso analisar as espécies de flores da região; anotar as épocas em que as floradas ocorrem, a presença de água potável e evitar correntes de ventos que possam prejudicar o vôo das abelhas. Árvores que produzem frutos grandes devem ser evitadas, tais como, mangueira, abacateiro, laranjeira e jaqueira. A queda deles poderá acarretar danos nas colméias.

Segundo Waldemar, muitas abelhas são bastante mansas e se protegem para defender seus ninhos, construindo-os em locais de difícil acesso, e se recolhendo quando incomodadas. "Algumas espécies de abelhas nativas constroem seus ninhos dentro de formigueiros ou próximo do ninho de abelhas bastante agressivas, obtendo assim proteção para suas colméias".

Fauna e flora em harmonia

As vantagens da criação e conservação das abelhas indígenas (nativas) não estão restritas ao mel e aos demais produtos de valor comercial. Elas exercem um papel importante na polinização das plantas. "Quando uma abelha penetra numa flor para sugar o néctar, os grãos de pólen aderem ao seu corpo e ao visitar, na seqüência, uma outra flor, o pólen colado no seu corpo é depositado no estigma, a parte feminina da segunda flor. Este processo, chamado polinização, é o que fertiliza a flor", explica a pesquisadora da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), Fábia de Mello Pereira. Uma vez que não

possuem o ferrão, as abelhas nativas podem ser usadas com segurança na polinização de espécies vegetais cultivadas em ambiente fechado.

Algumas culturas, a exemplo do pimentão, necessitam que, durante a coleta de alimento, a abelha exerça movimentos vibratórios em cima da flor para liberação do pólen. Também existem espécies de orquídeas e bromélias que são polinizadas exclusivamente por abelhas da espécie euglossini que, geralmente, apresentam cores metálicas, tendendo para o verde ou roxo.

A extinção dessas espécies pode causar um problema ecológico de enormes proporções, uma vez que as mesmas são responsáveis, dependendo do bioma, pela polinização de 80 a 90% das plantas nativas no Brasil. Há, inclusive, muitos agricultores utilizando as abelhas sem ferrão na polinização de culturas agrícolas tais como urucum, chuchu, camu-camu, carambola, coco-da-bahia e manga.

Arquitetas naturais

O ninho é um espetáculo à parte de arquitetura e organização. As abelhas nativas estabelecem as suas colônias no oco de árvores ou em galerias cavadas no solo e utilizam misturas de cera, própolis e barro como material de construção. Algumas espécies constroem ninhos em forma de túnel, revestindo as paredes com folhas ou pétalas, formando um compartimento cilíndrico no interior do qual depositam o mel e pólen que servirá de alimento para as suas larvas, desde a postura do ovo até o nascimento do inseto.

Umas poucas espécies aceitam viver em colméias artificiais, que devem ser habilmente construídas para reproduzir as condições naturais a que o inseto está adaptado.

Peculiaridades e desafios científicos

• muitas espécies produzem um mel de excelente qualidade - alguns dos quais, inclusive, a crença popular atribui qualidades terapêuticas;

• a criação de abelhas sem ferrão é muito fácil até na cidade. A docilidade da maioria das espécies e seu comportamento fascinante as tornam um excelente material lúdico para os adultos e um instrumento de educação ambiental para as crianças;

• seu papel chave nos ecossistemas dificilmente é apreciado na sua plenitude. As abelhas campeiras, ao coletar o néctar e o pólen, visitam quase todo tipo de arbustos e árvores com flores, servindo assim de agentes polinizadores nas matas e plantações.

Fonte: http://www.beachco.com.br/default.asp?ACT=5&content=55&id=27&mnu=27


segunda-feira, 1 de março de 2010

Visita ao Sr. Caldas

Em um post antigo sobre alimentação artificial mostrei uma abelha minúscula que sempre aparece pelo meliponário querendo umas gotinhas do xarope, na ocasião prometi que em breve iria visitar o Sr. Caldas para mostrar suas "abelhas mosquito " que é como nós as conhecemos, pois então finalmente fui lá tomar um tempinho do amigo sábio de conversa fácil e agradável, sempre com seus ensinamentos nos mais diversos aspectos da vida.

Seu Caldas ai ao lado do refúgio que as abelhas encontraram para construir sua colônia, essa espécie é muito pequena chega no máximo a 4 milímetros, esse cilindro de concreto onde elas se instalaram é muito grande para elas e dificulta o controle da temperatura, o ideal é que sejam transferidas para uma caixa racional.







A abelha mosquito é da tribo trigonini, para os abenautas que não conhecem essas denominações uma aula rápida:

As abelhas nativas dividem-se em melíponas e trigonas

Entre as meliponas,podemos destacar:tiúba(melipona compressipes fasciculata), jandaira(melipona subnitida), mandaçaia (melipona quadrifasciata), uruçu(melipona scutelaris), manduri(melipona marginata) entre outras.
Entre as trigonas,podemos destacar:moça-branca(frieseomelita varia), jataí(tetragonista angustula), mosquito(plebeia ou friesela), iraí(nannotrigona testacocieformes), entre outras.

ALGUMAS DIFERENÇAS ENTRE MELIPONAS E TRIGONAS:
MELIPONAS:
-São abelhas maiores;
-fazem a boca de entrada da colónia com geoprópolis;
-fazem estrias,na entrada da colónia;
-tem sempre um vigia na entrada da colónia.
TRIGONAS:
-são abelhas menores;
-a entrada da colónia tem cera ,ou nada;
-possuem as patas traseiras maiores;
-tem sempre vários vigias,na entrada da colónia.
- possui célula real

Movimento das meninas na entrada da colônia:


Francisco Carlos Alencar
Meliponário Alencar
São Luis-MA

domingo, 21 de fevereiro de 2010

Série inimigos das abelhas

Olá Amigos!

Todo meliponicultor tem um carinho e preocupação muito grande com as suas abelhas. Sabemos que os inimigos que as rondam não são poucos, claro que isso faz parte da natureza, praticamente todos os animais são vítimas e predadores ao mesmo tempo.

Mas, obviamente não queremos que nossas mascotes sejam abocanhadas a toa, pois cada indivíduo em uma colônia é muito importante, já que a população de abelhas sem ferrão é pequena é preciso cuidar para que o enxame se matenha estável sem disperdiçar uma operária sequer.

Dentre os inimigos da abelhas vamos destacar aqui alguns répteis que andam sempre com um apetite voraz, como o nosso famoso calango ou carambolo como é conhecido na nossa região e também os camaleões por isso ao verem algum desses meliantes abaixo rondando seu meliponário tomem o cuidado de vigiar e expulsá-los!

Calango com a boca na botija:



Camaleão rondando pelo muro, até parece que as abelhas são atraidas para a boca dele, o danado fica só esperando:


Outro camaleão à espreita pelo telhado:

Valeu até mais!

Francisco Carlos Alencar
Meliponário Alencar
São Luis-MA

domingo, 14 de fevereiro de 2010

Nível de organização das abelhas

A sociedade das abelhas sem ferrão é muito interessante! São tão organizadas que ao observarmos certos detalhes temos a certeza de que existe um ser superior capaz de criar tal criatura.

Alguns dos exemplos da "inteligência" dessas abelhas estão nesse post, como a separação do lixo produzido na colônia.

As operárias vão estocando a sujeira em um cantinho da colônia que posteriormente será eliminada, elas formam uma bolinha dessa massa para poderem segurar com as patas dianteiras e as mandíbulas fazem um pequeno vôo fora do enxame e jogam fora a bolinha de sujeira.


Para economizar o trabalho das meninas, sempre que é necessário fazer uma vistoria nas caixas aproveito para retirar o excesso de lixo, assim elas podem se dedicar a outras ativdades.















Outro caso bem legal de manutenção da limpeza do enxame é a ação das "coveiras" apelido que dei para as operárias que retiram os corpos das abelhas que morrem dentro da colônia, como elas tem ciclo de vida curto esse trabalho é feito algumas vezes por dia, na área próxima ao meliponário sempre tem algumas espalhadas pelo chão, essa vida curta das abelhas explica a necessidade da rainha colocar ovos o tempo todo para poder substituir as que se foram e manter a estabilidade da colônia . No vídeo abaixo a coveira teve um trabalinho para se livrar da carga:


No momento do manejo apareceu também uma princesa, que eu espero se torne uma rainha forte logo após o vôo nupcial. Consegui pegá-la e fiz um vídeo rapidinho ai para quem não conhece, a maior característica para diferenciá-la de cara de uma campeira é o abdomem, o da princesa é brilhante e se destaca, o da campeira é escuro e as listras brancas são bem definidas.



Outra curiosade observada foi um colônia teimosa que mudou o local da entrada, e ainda criou uma entrada dupla em uma parte da caixa que eu havia vedado com papel até que elas pudessem vedar com geoprópolis, já que se trata de um enxame recém criado.

Achei bem interessante, pois nunca tinha visto uma colônia com com duas entradas e dois vigias.

É isso ai amigos até a próxima! Um abraço!

Francisco Carlos Alencar
Meliponário alencar
São Luis/MA


 
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